Reconquista - Na Alemanha, por exemplo, a Cultura é uma das grandes indústrias criadoras de riqueza. Portugal ainda está a anos luz... O que se passa com a Cultura no nosso país?
Elsa Ligeiro - Penso que as grande indústrias do Século XXI serão as da Cultura. Ainda não se nota muito. A Cultura tem a génese da diferenciação. Hoje, num mundo global, só nos afirmamos através da diferenciação. Só através da Cultura é que marcamos alguma presença. A capacidade criativa não depende de grandes meios. Um país como Portugal, sem grande meios, se tiver boas ideias no campo da Cultura, poderá ter uma riqueza tão grande como a Alemanha, Inglaterra ou França. Se há uma área que não depende de uma matéria-prima que é preciso adquirir é a Cultura. Se formos herdeiros do pensamento de Pessoa, por exemplo, saberemos encontrar caminhos para afirmar a nossa identidade e Cultura, transformando tudo isso em produtos culturais atractivos para a Europa e o resto do mundo.
Reconquista - De que modo a herança cultural e histórica da nossa região pode contribuir para encontrar alternativas sustentáveis de desenvolvimento?
Elsa Ligeiro - Na Cultura e em qualquer área, temos de ser cada vez mais competentes, mais exigentes. O que nos pode diferenciar é profundamente cultural e antropológico. Valorizar o nosso espaço territorial, a geografia e os produtos que temos, trabalha-los de forma profissional, mas trazendo de fora outras sinergias para um território que a médio e longo prazo ficaria desertificado. Daí o nosso projecto das bibliotecas em aldeias com menos de mil habitantes. Visa provar que através de uma intervenção cultural podemos ajudar ao desenvolvimento local. E através do impacto cultural criar pequenas industrias, de produtos ou ideias.

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