(Excerto entrevista a Belmiro de Azevedo por Elisabete Felismino)
Que conselhos dá a quem queira fazer uma carreira como a sua?
Primeiro é preciso querer e poder, sendo o querer mais importante. O querer implica estar disponível para assumir uma atitude de risco. Quem é avesso ao risco não vale a pena pensar seguir este caminho. A outra característica é poder e isso tem a ver com competências como a educação, algumas técnicas de gestão, e também com opções de vida. É necessário ter opções que às vezes não agradam ao resto da família, às vezes não praticar o desporto que devia...
O que mais o preocupa neste momento da sua vida?
Sou um rapaz jovem, de 72 anos, e verificar que cada ano tenho mais um ano é uma preocupação. Mas as pessoas conscientes têm que começar a sair e eu já comecei a retirar-me fortemente. As tecnologias evoluíram muito, as responsabilidades são cada vez mais complexas, e é preciso ter consciência que os novos líderes têm que ser melhores que os actuais. Há muito tempo que digo que a minha principal função é criar líderes que têm a obrigação de ser melhores líderes e para isso é preciso ser um grande desportista. Partilhar conhecimento é das coisas melhores que posso fazer no fim da minha vida.
O Paulo vai ser melhor líder do que o Belmiro?
Tem de ser, não tem hipótese.
Vai no bom caminho?
Vai toda a gente diz, e tem algumas vantagens, ele é muito mais simpático.
Não é tão teimoso...
Houve aí um período que me chamaram o "Mete Medo" e a ele nunca lhe chamaram isso.
Continuam a existir oportunidades de negócio em Portugal?
A Sonae já esgotou boa parte delas, há outras em que nós por várias razões, não entrámos. Ainda temos um pequeno interesse nas energias renováveis, mas não entramos no grande negócio das renováveis- os grupos ligados às grandes companhias de electricidade tomaram posições muito fortes nesse domínio. Também havia outra característica é que são grandes investimentos e nós já tínhamos afecto fundos à execução dos nossos grandes projectos. Tínhamos e temos muito dinheiro ligado a grandes projectos. Agora mais recentemente é pior na medida em que esse tal fenómeno do crowding-out em que a própria banca nos obriga a emagrecer, obriga-nos a reduzir os passos. Mas estamos atentos a alguns desenvolvimentos.
(in, Económico)

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