Quem passar à reforma em 2010 arrisca um corte no valor da pensão que pode chegar aos 1,65%, confirmou hoje o Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. A alternativa é trabalhar mais dois a quatro meses, consoante o número de anos de descontos do trabalhador ou reforçar as poupanças.
A causa para este corte é o “factor de sustentabilidade”, um indicador que faz depender o valor das novas pensões de reforma da evolução da esperança média de vida e que se aplica tanto a quem fez descontos para o regime geral da Segurança Social (trabalhadores do sector privado) quer para os funcionários públicos.
2010 será o terceiro ano em que os reformados vão sentir um corte na pensão por via deste “factor de sustentabilidade”. Quem saiu do mercado de trabalho em 2008 sofreu uma redução de 0,56% ou teve de trabalhar mais um mês além da conta “normal”.
Em 2009, com o crescimento da esperança média de vida, os trabalhadores que se reformaram levam uma penalização de 1,32%. Em 2010, o corte será de 1,65%, confirmou sexta-feira o Ministério do Trabalho, em comunicado. A percentagem da redução crescerá todos os anos, à medida que os ganhos em termos de tempo de vida forem progredindo, e o seu valor exacto só será conhecido no final de cada ano.
O pensionista têm alternativas para remediar o corte no valor da pensão. Desde logo, trabalhar mais tempo. Segundo contas do Ministério do Trabalho, quem para o ano se reformar com 65 anos de idade e 40 de descontos, verá a sua pensão bonificada em 2% se trabalhar mais dois meses (sobrando-lhe ainda 0,35% de bonificação).
Uma outra alternativa passa por reforçar os descontos para a reforma, através do fundo público (os certificados de reforma) ou de produtos privados.
(in, Jornal de Negócios por Elisabete Miranda)

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