Um estudo da DECO revela que no último ano 650 mil famílias adiaram o início de tratamentos médicos por impossibilidade de pagar os custos associados à terapia.
Na sequência de um inquérito a 1.639 famílias portuguesas, cujos resultados serão publicados na edição de Fevereiro da DECO Proteste, a associação de defesa dos consumidores conclui que “no último ano, 6 em cada 10 famílias tiveram dificuldade em seguir tratamentos médicos devido a problemas financeiros”.
Em comunicado, a DECO explica que entre os inquiridos, “quase metade daqueles agregados foi obrigado a adiar uma terapia, um quinto interrompeu-a e outros tantos nem ponderaram iniciá-la, por impossibilidade de pagar. Nas últimas condições estão 650 mil famílias, segundo estimativas da associação”.
As maiores dificuldades são sentidas “nos lares com baixos rendimentos, os que incluem apenas um adulto e crianças menores e os que integram doentes crónicos manifestam mais problemas em suportar os custos”.
Por isso, “a DECO pede respostas adequadas do Serviço Nacional de Saúde, pelos seus meios ou através de convenções, e a atenção especial do Estado aos grupos mais vulneráveis, como as famílias de baixos rendimentos, monoparentais e com crianças, e as que incluem doentes crónicos”.
O mesmo estudo da associação de defesa dos consumidores conclui que “Um quinto [dos inquiridos] já se endividou para despesas de saúde e 15% fizeram-no no último ano. Cada agregado pediu, em média, € 1100, sobretudo, a familiares. Quatro em cada 10 revelaram muitas dificuldades em liquidar a dívida”.
As longas listas de espera existentes no Serviço Nacional de Saúde acabaram por empurrar os portugueses para os serviços de saúde privados. Assim, afirma a DECO “grande parte dos créditos destinou-se a serviços de saúde privados, muitas deles, também existentes no Serviço Nacional de Saúde”.
70% dos portugueses gasta um quinto do rendimento disponível anual em saúde
O estudo da DECO conclui ainda que “7 em cada 10 famílias gastam uma média de 1700 euros por ano do seu bolso em saúde, o que representa, em média, cerca de um quinto do rendimento anual líquido”.
É sobretudo nos cuidados dentários e oftalmológicos que é gasta maior fatia com saúde, com as despesas médias anuais a rondarem os 550 euros e 465 euros, respectivamente.
(in, Jornal de Negócios por Susana Domingos)