Para Benjamin Graham, considerado o grande pioneiro do investimento em valor ('Value Investing'), os dividendos não devem ser encarados como um instrumento de riqueza imediata mas como um indicador de sustentabilidade da empresa.
Para o mentor de Warrent Buffett, mais importante do que as empresas pagarem dividendos esporadicamente é a capacidade de promoverem o crescimento da taxa de dividendos aos accionistas ao longo do tempo que as tornam num activo apelativo.
É o que sucede com a Coca-Cola, líder mundial em bebidas não alcoólicas que há 47 anos distribui dividendos ininterruptamente e, nas últimas quatro décadas, as suas acções registaram uma valorização anual média de 11,5%.
Porém, nem sempre a redução ou mesmo a suspensão dos dividendos está ligado a maus resultados operacionais.
Por vezes, a administração da empresa decide cortar a remuneração aos accionistas com vista a utilizar esse dinheiro para reduzir parte do passivo ou até apostar na expansão do negócio. Nestes casos, ao contrário do que se possa pensar, é o próprio accionista que sai beneficiado pois, quando o dividendo é pago sob a forma de dinheiro esse "bónus" é automaticamente penalizado com uma tributação sob mais-valias de 20%, mas quando o dividendo fica retido nas contas da empresa é utilizado no sentido de aumentar valor da empresa. No entanto, não é desta forma que o mercado lê esta mudança de visão.
Numa altura em que muitas empresas preparam-se para apresentar os resultados anuais, inevitavelmente marcados pela crise mundial, muitos investidores que outrora compraram acções de companhias a contarem com os dividendos, correm agora o risco de, este ano, verem esses dividendos congelados.
Para evitar cair na armadilha dos dividendos o Diário Económico foi à procura de companhias que não só prometem pagar bons dividendos em 2010 como ao longo dos últimos cinco anos têm aumentado consideravelmente a remuneração dos investidores.
Além disso, é igualmente importante que grande parte dos resultados líquidos que a empresa distribui aos seus accionistas é feito sob a forma de dividendos.
Não é de estranhar que entre as sete eleitas o sector das telecomunicações marque destaque com quatro companhias - France Telecom, Telefonica, Portugal Telecom e Cable.
(in, Diário Económico)

Sem comentários:
Enviar um comentário