José António Barros, presidente da AEP, defendeu que “não faz sentido” que se reduzam os salários de uma forma genérica, considerando que há outras questões que aumentam a competitividade. O responsável salientou que “Portugal é o País que menos trabalha na Europa”, devido ao elevado número de feriados.
As declarações do responsáveis surgem depois do Fundo Monetário Internacional (FMI) ter defendido que Portugal, Espanha e Grécia vão ter que baixar salários devido à situação das suas finanças públicas. "Devido à crise, Portugal, Espanha e Grécia enfrentam sérias dificuldades que implicam ajustes muito penosos, sobretudo quando a taxa de inflação é muito baixa", acrescentou o economista do FMI Olivier Blanchard, numa entrevista ao francês “Les Echos”.
“O sinal que foi dado na Função Pública, ao não haver qualquer aumento [salarial] é francamente positivo”, afirmou António Barros.
“Ao nível da iniciativa privada, se muitos sectores não devem aumentar salários, há outros que têm condições para o fazer. Não devemos entrar na casa dos outros para dizer o que devem ou não fazer. Agora reduzir, de uma forma genérica, os salários de todo o País acho que não faz muito sentido”, acrescentou.
“Não é só preciso reduzir os salários para aumentar a competitividade. Há muitos outros aspectos, como a questão dos feriados. Portugal é o País que tem o valor mais elevado da Europa ao nível do somatório dos dias de férias e feriados”, salientou.
“Portugal é o País que menos trabalha na Europa. Aqui está um ponto onde se pode aumentar a produtividade, colocando o nosso nível de feriados ao nível da média europeia”, sublinhou.
“Há ainda outra questão que tem que ver com a revisão da lei laboral. Falo da flexibilidade”, concluiu, à margem da assinatura de um protocolo com os CTT.
(in, Jornal de Negócios, por Germano Oliveira)

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